sábado, 4 de novembro de 2017

É Cedro que podes fazer um Mini System 2.1 Bass Reflex com TLs

Nestes dias de primavera anda chovendo aos cântaros, muita ovelha ensopada e algum tempo livre fora do normal, porém o futuro é do trabalho acumulado, mas enquanto o seu lobo não vem aproveito para um pouco de "britolagem".

Gostei muito do resultado das Moiras e decidi fazer mais caixas de som, mas desta vez que coubessem na minha sala e que as pudesse levar para onde fosse, então pensei em um Mini System adequado aos 120 watts RMS do amplificador de ativação de subwoofer que comprara para as Moiras, mas depois me pareceu muito fraco.

Mini System em Cedro

Este amplificador eu encomendei da China por 36 dólares via AliExpress, a foto dele está abaixo e seu modelo é o SW-501 da Aiyima, uma boa empresa. Em reais custou perto de R$ 120,00 sem a fonte, mas por sorte tinha uma genérica de notebook que serviu super bem.



Ele é bem pequeno, conseguiu passar direto pela alfândega depois de uns 30 dias esperando, o que foi bom, não o tempo, claro, mas por não ter sido tributado. Alguém pode pensar que isso é bobagem porque ele está longe dos 50 dólares, mas na importação direta não há cota e tudo que se manda vir, acrescido do frete, pode ser  tributado em 50% conforme o valor atribuído pela receita.

Nós gaúchos, graças a um Desgovernador do PMDB chamado Rigoto - o Chorão, ainda sofremos um achaque extra da Secretaria da Fazenda Estadual que com a maior cara de pau cobra o ICMS de uma mercadoria que nunca circulou.

Bom, o amplificador já estava a mais de um mês encima da mesa e eu pensando no que faria, cheguei a calcular um sistema com blocos de concreto de construção, mas a litragem deles é muito pequena e o peso demasiado, mas gostei da ideia e talvez use umas sucatas que tenho outra hora, assim resolvi olhar no Mercado Livre o que encontrava de bom e barato.

Qual concepção? A lei dos "omi" ajuda?


Antes de sair por ai comprando é importante lembar que caixas boas são construídas entorno dos alto falantes, então, sistemas bons também devem ser construídos entorno do amplificador.

Neste caso o amplificador alega ter 120 Watts em três canais, como não tenho um voltímetro, um gerador de sinais e um resistor de capacidade conhecida, não posso medir ele para ter certeza de sua potência RMS (Root Mean Square), a que importa.

Fazer o quê? Bom, como este projeto todo está solidamente baseado em chute científico apoiado na sorte, não custa lembrar que amplificadores, como quase tudo nesta época, são péssimos em eficiência, sendo seguro não esperar mais que 25% de sua potência teórica (usando tensão de alimentação e não a de saída) gere som.

O fabricante não disponibiliza manual, ou eu não achei,  mas se não me engano, o chip dele é o 3836, logo um AB com capacidade de 30 Watts, de forma que devem ser dois integrados, um para os canais estéreo (30 Watts + 30 Watts) e outro em mono (60 Watts).

No corpo da placa do amplificador está gravada a informação de que ele aceita fontes de alimentação entre 15 e 22 Volts de tensão e até 5 Amperes de corrente,  condizente com os alegados 120 Watts  do "max powerconsumption".

Para se tirar a prova basta olhar a mandala famosa da lei dos "omi" que está ai do lado: a potência teórica é a tensão de alimentação multiplicada pela corrente informada.

P = I*V 

P = 75 a 110 Watts.


Com uma ideia da potência máxima teórica é possível aplicar um fator de potencia de 25% para aproximar até potência real de trabalho do amplificador:


18,7 a 27.5 Watts RMS.


É interessante lembrar que amplificadores não são demandados igualmente pelos alto falantes, não apenas por suas diferentes capacidades de suportar potência, mas porque ritmos musicais diferentes possuem, igualmente, diferentes conjuntos de frequências, como cada uma dessas frequências demanda uma quantidade diferente de energia, grosso modo, 60% da potencia dos amplificadores vai para os graves, 35% para os médios e 15% no máximo para os agudos.

Um sistema 2.1 precisa, por esta razão, ter mais potencia no canal dos graves e o construtor do amplificador sabe disto, logo dos 19 a 27,5 Watts RMS, possivelmente 10 a 20 Watts vão para o canal dos graves e o restante vai para os outros dois canais meio a meio.

Mas isso não é nada!


Os ato falantes pequenos normalmente são vendidos apenas com a divulgação da sua capacidade de suportar potência (50 Watts mais ou menos) e sua impedâncias (4 Ohms).

Essa potência informada jamais é a RMS, pois se fosse, os valores informados seriam tão baixos que os tornariam pouco atrativos.

Os fabricantes divulgam a chamada potência de pico musical, ou PMPO ("Peak Music Power Output"), que não é padronizada e pouca credibilidade possui, tanto que é recorrente a indústria multiplicar por quatro a potência RMS planejada para um determinado alto falante suportar e aplicá-la, por poucos instantes,  um número repetidamente grande de vezes, para depois avaliar os danos no controle de qualidade e assim estabelecer a "potencia de marketing".

Alto falantes pequenos, desta forma, dificilmente suportam mais que 12 Watts de potencia RMS a 4 Ohms, ou seja, é quase tudo que o que amplificador da Aiyima deve ser capaz de entregar em cada canal se for alimentado por uma fonte de 22 Volts e 5 amperes, sendo esperado o dobro  no canal mono dos graves.




Depois de tantos chutes científicos chega a hora do suporte da sorte: pela indústria um sistema 2.1 projetado para este amplificador, digo: planejado para este amplificador, deveria ter uma caixa de graves que não ultrapassasse 110 Watts PMPO e as caixas satélite poderiam ter quantos alto falantes se quisesse, desde que a soma das potências PMPO suportadas por eles não ultrapassasse os 60 Watts, tudo sob 4 Ohms de impedância e por cautela, se deve diminuir isso um pouco, ficando em 100 e 50 Watts respectivamente.

Fiz isso?

Claro que não e deu ruim!


Navegar é preciso, o Mercado Livre não é Preciso


Com a concepção estabelecida eu gostaria de achar bons alto falantes baratos, daqueles produzidos por fadas madrinhas para os unicórnios, mas o melhor era não ter muitas expectativas, então nem tentei falar com vendedores mais conceituados, casas do ramo, etc. e fui direto no Mercado Livre ver o que achava em 10 x sem juros.

Digitando "minisubwoofer", "miniwoofer", "full range" "2,5", etc. aparece cada coisa... Sem esperança de ter alguma informação dos parâmetros, muito menos que algum vendedor de alto falantes de 2 a 3 polegadas tivesse saco de informar isso, mesmo que soubesse do que se tratava, decidi que o melhor era não voar alto.

A opção foi procurar qualquer coisa chamada de "mini sub woofer" que tivesse jeito disso: bordas de suspensão em borracha que parecessem bem moles e depois rezar que em uma caixa Bass Reflex ele rendesse um pouco abaixo de 100 hz e fiz da mesma forma para os médios e agudos, procurei o que fosse chamado de "mini woofer full range" e tivesse jeito de alguma qualidade.

Achei algumas opções entorno de 2,5" bem baratas e pareciam servir para a minha finalidade: sistema portátil que tocasse suficientemente bem para valer o trabalho de montar. Um plano realístico...

Comprei um "mini subwoofer" de 2,7", dois "mini woofers" de 2,5" que usam em Home Theaters da Sansung e dois "mini qualquer coisa" de 2" da Eastech:



Os cinco custaram R$ 150,00 a perder de vista, sem juros e com o frete, ou seja, 30 reais na média, o que é um bom preço na minha opinião. Quem se interessar pode falar com o vendedor, pois ele possui outros modelos mais caros e itens variados, seu nome é Roger e foi bem rápido no envio.

Claro que não havia informação alguma dos parâmetros, além das respectivas impedâncias de 3, 4 e 4 Ohms  e potências suportadas  de 75, 66 e 50 Watts estampadas nos versos dos alto falantes.

O resultado da minha falta de opções, paciência e insensato otimismo foi que comprei /ás cegas mesmo e acabei com potência de menos para os graves e de mais para os médios e a coisa não arredondou como eu queria, mas antes vamos falar dos alto falantes.

O Sansung estava informado "errado", pois na verdade é feito pela BH Acoustel e o modelo correto é o U076L02SSK2 que possui 26 Watts RMS, diferente dos 50 anunciados de um outro modelo praticamente igual, não fossem as bordas viradas do chassi.

Pesquisando um pouco na internet não achei nada sobre os alto falantes que comprei e como não tenho um traçador de impedância, muito menos um RTA, tive que cavar mais fundo até achar um Data Sheet do "Sansung":




Analisando a curva de resposta acima se pode ver que o "mini woofer" da "Sansung" tem a sensibilidade baixa como esperado, entorno de 81 dB, sua frequência de ressonância é 150 Hz e o ponto de menos 6 dB deve estar nos 120Hz. Uma oitava a baixo é 60 hertz e este deve ser o piso audível deste alto falante.

Da Eastech achei dois catálogos no site, porém em nenhum havia informações sobre estes modelos que comprara, óbvio! O jeito foi extrapolar os dados médios do que estava informado nos diversos modelos e não esperar muito da sintonia das caixas. No dia em que eu puder medi-las farei os ajustes, principalmente da litragem da caixa bass reflex, pois se tiver excesso de volume ele pode ser corrigido colocando dentro isopor, ou coisa assim, além do duto, que também pode ser sintonizado novamente sem estragar tudo.

Neste rumo, amparado tão somente pela sorte, resolvi ter a crença de que o "mini subwoofer", segundo os modelos mais parecidos do catálogo, deveria tocar bem entre 100 hz e 4 Khz  e o "mini qualquer coisa" tende a não ser, nem mais sensível, nem mais amplo que o "Sansung", logo é de se esperar que ele toque melhor acima dos 1000 hz e suba até um pouco mais, quem sabe vá a 16 Khz ou mais. Decidi dar-lhe um tratamento de Tweeter e cortei ele pelos 11 Khz , com isso também se alivia um pouco a potência drenada por ele.

O diabo mora nos detalhes


Como desenhar o mini system? Achei melhor definir a caixa de graves primeiro, pois segundo minha crença o alto falante deveria ter uma freqüência de ressonância entorno de 100 Hz, embora não fizesse a menor ideia do Vas e do Qts dele. Bom, um alto falante pequeno destes não pode ter um Vas grande e o Qts deve ser médio alto, porque é um pouco macio e tem um motor pequeno.

Existem programas de simulação e projeto de caixas ótimos por ai, mas com o nível baixíssimo de informações que dispunha não dava para perder tempo com ferramentas complexas, usei o "Speaker Box Desingner" comprado na AppStore por uns R$ 6,00 e é capaz de calcular e simular caixas seladas, "Bass Reflex" e "Band Pass" com o mínimo de informação possível. Pior, acho que faz isso bem, pois já comparei os resultados dele com outros bem mais complexos e foram muito próximos, inclusive a curva de resposta.

Usei um Vas (resistência que as suspensões aplicam sobre o cone ao ar livre, comparando essa resistência a uma massa de ar em litros) pequeno: 0,5 litros e o Qts (fator de qualidade total do alto falante) adotei 0,8, algo médio alto. A frequência de ressonância Fs deixei 100 Hz mesmo. O diâmetro do alto falante medido foi 6,4 cm e o Xmax, no olho, pareceu uns 3 mm.

Para o cálculo da caixa dutada não havia porque usar outro fator de qualidade (Qtc) que não o tradicional 0,707 e estabelecer o amortecimento crítico. Como estava pensando em algo pequeno, com um duto apenas, o diâmetro perto de 3 cm fazia sentido. Claro que fiz várias simulações, estes valores adotados foram os que mais gostei.

O programa retornou que o volume desta caixa deveria ser 4,62 litros, ela responderia a cima de 77 Hz (duvideodó) e o comprimento da porta deveria ser de 6,5 cm para que a frequência de corte ficasse em 70 Hz a -3 dB.

Infelizmente não consigui gravar o gráfico da simulação, meu telefone não tem salvador de tela e não tenho outro para fotografar, mas a curva é bem simples, são leves os picos. O primeiro está nos 75 Hz e deve ser o duto, o segundo está nos 150 Hz e é poco aparente, deve representar o alto falante. Entre eles há um leve vale que deve chegar a -2 dB nos 110 Hz e o maior ganho é de 1 dB aproximadamente perto dos 190 Hz.

O que ainda seria possível para melhorar um pouco esta caixa? Resolvi montar na forma Down Fire, ou seja, com o alto falante posicionado para baixo e o duto em uma lateral, desta forma poderia ficar encostada em uma parede e o ar na frente do alto falante, contido pela superfície de apoio, daria alguma resistência extra ajudando o controle do cone e quem sabe um reforcinho nas baixas.

Tá, mas e a forma? Ai o Diabo veio e fez o que sempre ele faz... lembrei que tudo ainda deveria ser mais ou menos bonito sem a sorte ajudar. Pensei, pensei, desenhei, desenhei, repensei, nada...

Apelei para o I-Ching, faço isso seguido e sugiro a todos: com a pergunta "que forma" serenamente na cabeça cliquei as varetas virtuais e pimba:

Vi o projeto desenhado no hexagrama!


Só estava de cabeça para baixo, óbvio, mas não é assim que fica a china? A Terra era a estante, o piso, o suporte e o fogo o mini system.

Coméquié? 

O Mini System deveria ter a forma de um paralelepípedo!

Simples assim: a caixa Bass Reflex no fundo, suportando as satélites encaixadas na sua frente, de forma que pudessem ser afastadas ou destacadas e afastadas mais, quando uma noção estereofônica mais forte fosse requerida.

Como o volume da Bass Reflex - Down Fire deveria ser aproximadamente 5 litros, para se poder descontar o alto falante e o duto, então as duas caixas satélite não poderiam somar um volume muito diferente. Esta restrição permitia duas caixas seladas mais ou menos quadradas ou duas mini torres fixadas na horizontal, escolhi essa opção pela beleza... o Diabo novamente complicando tudo: as mini torres seriam Linhas de Transmissão.

Para harmonizar as dimensões pela proporção áurea de 1,62 fiz um monte de contas e no fim tive que aceitar alguns comprometimentos: a profundidade da caixa Bass Reflex deveria ser tal que coubesse o alto falante e sua altura deveria ser um poco menos que a metade de sua largura.

Nas TLs não daria para usar uma seção longitudinal com área equivalente ao dobro da soma dos SDs dos alto falantes e para responderem bem das médias baixas em diante, teriam que ter um comprimento mínimo de linha bem estofado, para que reforçasse os 100 Hz, pois os poucos dados técnicos disponíveis indicavam haver SPL suficiente acima dos 500 Hz indo até os 16 KHz. Não é, mais ou menos, o que se consegue ouvir depois dos 40 anos? Eu, com certeza, muito menos!

Na configuração de linhas dobradas, para sintonizar em 90 Hz, precisariam ter um comprimento interno de 97 cm e isto implicaria em algo perto de 50 cm por fora, uma medida muito grande para a largura da Bass Reflex. Novamente houve um pequeno comprometimento da qualidade.

SketchUp horas depois ficou assim:





No detalhe a caixa Bass Reflex Down Fire. O volume interno final ficou em 5,18 litros, descontados o duto de 0,15 litros e o alto falante, o volume líquido final ficou no entorno dos 4,7  litros. A caixa, por fora, mede 43,5 X 19 X 11 cm, um tamanho bom para um Mini System compacto "pero no mucho". Todas as paredes possuem uma espessura de 15 mm (era 19 mm) exceto a frente da Bass Reflex dimensionada com 25 mm para encaixar e suportar as TLs. A parede do duto foi reduzida para 6,5 cm na versão final da caixa.


As TLs estão detalhadas abaixo. Tive que sacrificar a câmara inicial e apenas os alto falantes foram deslocados do início da linha, isto diminuiu a resposta nos médios altos, mas não se configurou  como um grande problema, pois normalmente eles são até excessivos.

O comprimento total da linha também não atingiu os 97 cm como pretendia, para ajustar as dimensões às da caixa de Bass Reflex o comprimento interno da linha ficou em 75 cm aproximadamente.

Sem nenhum estofamento interno a sintonia seria 115 Hz, o que já seria razoável, mas com lã na primeira parte e a curva (60% da linha) possivelmente elas cheguem nos 100 Hz, pois a velocidade do som reduz quando a constante de viscosidade do meio se elevada - o limite teórico seria 50 Hz, mas possivelmente o excesso de estofamento acabaria abafando o som e reduzindo a qualidade.



A proporção de afinamento da linha, por conta das dimensões externas restritas, igualmente ficou aquém do desejado e arrastou a relação início (ou garganta) e boca com ela: as áreas de cone (Sd) de ambos os alto falantes somadas resultam em  70 cm2, logo a TL deveria iniciar perto dos 140 cm2  (Sd + Sd ) e isso foi impossível, da mesma forma a área da boca não atingiu 100 cm2.

A área inicial das TLs ficou restrita a 50 cm2, sem câmara e sem garganta, e a boca tem quase 10 cm2 - uma redução entorno de 5:1, algo pesada quando o usual 1:3 ou menos.

Com estas concessões à forma a sonoridade das TLs empobreceu um pouco nos graves e na região dos médios altos e por não terem Tweeters, as frequências mais altas, acima dos 18 Khz, ficaram muito fracas. Para ajudar, a caixa de graves teria que subir acima dos 400 hz, mas o alto falante não é tão bom e se ela receber muita potência começa a distorcer bem antes disso.

O projeto, então, se não contemplasse as preocupações estéticas relatadas, teria as TLs com o comprimento da linha interna de pelo menos 90 cm, iniciando em uma câmara atrás dos alto falantes com uma área seccional perto de 140 cm2, que iniciasse a se estreitar na altura da metade do segundo alto falante, onde se configuraria uma garganta que seguiria diminuindo até a boca, onde a área seccional não seria maior que  100 cm2, por fim, 2/3 da linha seriam estofados e a câmara também receberia uma camada de espuma nas paredes.

Se sabia, porque não arrumou antes? Ora, os comprometimentos estavam claros na fase de desenho e cálculo, mas se não montasse o sistema. como poderia comprová-los na prática? Escutei um dia desses que só existe fracasso se a gente não aprende nada, então, na pior das hipóteses o resultado seria mediano e Mini System serviria só para diversão, mas eu aprenderia um pouco mais. Risco justo.

E agora José?


Amplificador na mão, alto falantes na mão, bastava encomendar os cortes em MDF... só que não, pois tudo não ocuparia um quarto de uma chapa e não dá para fazer protótipos em série.

Resolvi fazer em madeira e para não pesar muito, nem ficar caro, mudei o cálculo original de 19 mm de espessura para 15 mm e defini o corte das seguintes peças retangulares:


Com as medidas em punho fui no Fábio, um artesão, marceneiro, artista e amigo, além de vizinho aqui na Borrússia e perguntei se ele não cortava essas madeiras para mim. A sorte voltou e em pouco tempo ele achou um monte de recortes velhos de Cedro ( título o "É Cedro que Podes..." vem de uma infeliz tentativa de piada de um outro amigo chamado Zeca...) muito lindos e bem secos. Abaixo as fotos antes e depois de desempenar, a plainar e cortar.


A montagem iniciei pela furação e para os alto falantes apenas precisei comprar uma broca copo de 71 mm, pois a de 66 eu já tinha, em seguida cortei as peças dos pés que são as únicas em ângulo para conformam as curvas da linha. O amplificador também exigiu um buraco grande e quadrado, que foi feito a partir de quatro furos de uma broca 12 mm em cada canto, depois ligados em corte com a serra Tico-Tico.


O Cedro é uma madeira macia e boa de trabalhar, porém lasca e racha fácil, além do seu pó ser um tipo de rapé - se não trabalhar de máscara é dureza. Nesta foto está uma montagem provisória para ver como ficou o conjunto e testar o som sem estofamento (um horror).


Por fim, muita lixa 280 e acabamento com 320, pintar com verniz PU de assoalho do lado de fora e com tinta emborrachada Batida-de-Pedra por dentro, três e duas demãos respectivamente e esperar tudo secar.





Usei parafusos pretos como acabamento e todas as junções foram bem coladas . Quando aparafusei os alto falantes nos furos tive muito cuidado de não passar o anel de vedação deles para o lado de fora, deixando sempre todo o diâmetro das carcaças em contato com a madeira para evitar vazamentos.

Antes de fechar as tampas frontais com os alto falantes apliquei lã natural nas TL e no interior da Bass Reflex, pensei em colar alguma manta fibrosa nas paredes, mas a potência é tão pouca que dispensei e não pareceu ter fito falta mesmo. Quando testei com a lã o som foi completamente diferente do barril anasalado de antes.

Dica: vai atrapalhar em uma desmontagem de manutenção no futuro, mas ajudou muito colar as bordas das caixas com fita dupla face de espuma. Elas ficaram muito bem seladas e isso foi extremamente importante para a qualidade delas, pois a superfície da madeira é muito mais rugosa e imperfeita que a do MDF, ou mesmo de um compensado naval.

Na foto ao lado também se pode ver notar o capacitor de poliester que apliquei no "mini-qualquer-coisa". Ele tem 3,36 microfarad e sob uma impedância de 4 Ohms deve estar cortando por volta dos 12 KHz. Poderia usar os crossovers chineses que estão dando sopa na minha gaveta, mas não acho que fossem fazer muita diferença neste projeto e iam encarecê-lo muito.

Os capacitores não fizeram muita diferença no som, é verdade, e talvez eu tenha que admitir um dia o erro de ter usado os "mini-qualquer-coisa" ao invés de Tweetrs... exigiram mais potência e implicaram na elevação da impedância, pois se os ligasse em série ela seria menos de 2 Ohms, muito baixa para o amplificador, em paralelo eles a elevaram para 8 Ohms - alta, mas segura.

Tudo montado, apenas ficou faltando voltar no Fábio para fazer as guias de encaixe das TLs na Bass Box, Acho que se usar uma tupia e uma fresa Rabo-de-Andorinha para fazer trapezoidais na tampa da Bass Reflex de 25 mm e fazer as guias em uma madeira mais dura para colar e aparafusar costas das TLs vai ficar bom.

Falaram finalmente!

Na hora do pipoco a sorte foi um amparo e eles falaram bem, mas como já comentei antes, senti os graves com pouca extensão, possivelmente pela baixa qualidade do alto falante da Bass Reflex e a sobra de potência que recebe ao ter 4 Ohms de impedância em mono contra os 8 das TLs que usam dois canais.

Glue vs HornResp
A sintonia da caixa Bass Reflex parece ter sido acertada, pois o Xover do amplificador muda muito o resultado do meio de sua graduação (mais ou menos 60 hz) para o máximo de 150 Hz, por outro lado a disposição Down-Fire do alto falante não influenciou muito.

As concessões estéticas cobraram seu preço nos médios também, pois percebi uma certa falta na região da voz, possivelmente pelas TLs não terem câmaras traseiras e terem ficado muito estreitas, mas a definição e os ataques estão acima do esperado. Quando as testei sem o estofamento eram quase barris falantes, depois melhoraram muito, mas não estão baixando a mais de 100 hz.

#gatochato chateando
Em resumo, a brincadeira rendeu um Mini System bom para som ambiente, onde não for requerido muito volume e se for usado para escutar música sem muita pretensão de fidelidade e baixos encorpados fica muito bom.

Para o bem e para o mal, a minha impressão final foi que o som dele ficou igual ou melhor a muitas opções comerciais que se acham por ai custando bem mais que R$ 500,00. Eles tocam o suficiente para agradar e não vão incomodar nenhum vizinho. Nas frequências em que a resposta está boa os transientes e o ataque são excelentes e depois que ele amaciar vai melhorar bem mais. Vou medir um dia.

O que se destacou mesmo foi o inusitado da madeira, já que não se vê caixas assim. Tinha medo que ressonariam demais e que poderiam tocar muito diferente uma da outra, etc... Nada, como a potência é pequena, não ficou fácil perceber uma contribuição indevida da madeira e é impossível não se maravilhar as vendo brilhando, com os veios da madeira natural a mostra em um conjunto de medidas e proporções bem harmoniosas.

Tem Concerto ou Conserto?


Sim, ambos!

O Mini System encara música clássica e jazz, assim como MPB e samba em volume e qualidade comportados, mas se quiser ouvir Jacó Pastorius no 10 elas não vão ser agradáveis. Igual se usar elas para rock pesado, forró, eletrônica, pois vai faltar SPL e a extensão nos graves complicará com distorções, além da falta da ponta final dos agudos que vai deixar as guitarras e os pratos um pouco vazios, mas também nunca foi um projeto Hi Fi, então não se pode reclamar tanto.

Como pude identificar os dois furos mais embaixo: o alto falante de graves muito limitado e as TLs com impedância muito alta, creio que vou mudar o projeto no futuro para corrigir isso tudo.

Usar, ao invés da Bass Reflex, uma Air Coupler com dois alto falantes de 6,5 polegadas um pouquinho melhores em push-pull deve levar os graves até os 50 Hz e a impedância do sistema casará em 8 Ohms, ai um novo amplificador e Tweeters sobre as TLs devem resolver o resto.



Teste de Campo


Meu celular é péssimo! A gravação ficou bem pior que na vida real, mas sério, o Mini System não desapontou completamente, só não lacrou e olhando para o custo benefício, acho que valeu muito a pena, pois gastei 100 dólares (R$ 350,00) e só de terapia eu economizei vinte vezes mais...



Cedre-se







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